Artigo narrado por: Juliana Resende- Meteorologista

Quem compra leite para consumo próprio ou para uso em seu negócio já sabe: é fundamental ter atenção às condições climáticas para garantir um bom armazenamento e impedir que o alimento estrague. O que menos gente sabe é que a interferência do clima também é grande na produção do leite.

As condições meteorológicas influenciam a fauna e a flora dos locais, e os rebanhos de gado de corte e leiteiros não ficam imunes a isso. Assim, o gestor de fazendas agropecuárias deve ficar atento a esse quesito para garantir que seu negócio esteja funcionando na capacidade máxima.

 

Neste artigo, contamos mais sobre a interferência do clima na produção do leite e mostramos como o gestor pode tirar proveito dessa relação. Boa leitura!

 

As alterações do clima se refletem no ambiente

Os biomas são unidades biológicas delimitadas pelo macroclima da região, a vegetação existente no local, o solo, a fauna e a altitude da área em questão. O clima é, portanto, uma das componentes fundamentais de um bioma.

 

Isso quer dizer que as características climáticas influenciam diretamente no tipo de fauna e flora de uma determinada região. Em locais quentes e pouco úmidos, como os desertos e a caatinga brasileira, o bioma é caracterizado por solo arenoso e pedregoso, arbustos baixos e cactáceas, répteis e outras espécies resistentes às altas temperaturas.

 

No dia a dia, as alterações climáticas e do tempo também se refletem na flora e na fauna de uma região. Geadas podem prejudicar muito a produção de verduras folhosas e de pasto para os animais, assim como uma seca prolongada tende a colocar em risco a safra de grãos, tanto os usados para consumo humano quanto aqueles dedicados à elaboração de compostos alimentares para os rebanhos.

 

Se por um lado não é possível evitar que esses fenômenos naturais aconteçam, na maioria das vezes é possível evitar que afetem a produção da fazenda. Para isso, porém, é preciso que o gestor tenha acesso a um monitoramento climático.

 

De posse dessas informações, ele poderá fazer um planejamento para que sua fazenda não seja prejudicada diante de possíveis desastres naturais. Nesse sentido, a meteorologia tem papel fundamental para fornecer informações à gestão do agronegócio.

 

Influência do clima nas atividades econômicas

Os agricultores já sabem disto há tempos: as estações do ano têm influência decisiva na atividade econômica. Mas não é só nesse setor especificamente que as variações climáticas ditam mudanças.

 

Setores como a indústria farmacêutica, a construção civil, as operações offshore e o varejo também são profundamente afetados pela mudança de temperatura e demais condições meteorológicas. 

 

Pegando o primeiro exemplo citado: nas semanas mais frias do ano, costuma haver maior circulação de vírus da gripe. Por consequência, há também um aumento na procura por antigripais e antitérmicos. No varejo, aumentam as vendas de casacos, blusas de frio e cobertores. Já os restaurantes veem crescer a demanda por caldos, sopas e fondues.

 

Ao contrário, nos meses mais quentes do ano, o setor da moda fica em estado de alerta. Novas coleções de moda praia, sandálias e roupas leves são lançadas. No setor de eletrodomésticos, as lojas precisam estar preparadas para atender a uma demanda cada vez maior por aparelhos de ar-condicionado e ventiladores.

 

Porém, se ao longo do ano uma massa de ar frio ou um veranico chegam em uma época pouco crítica, os negócios também precisam estar atentos para conseguir atender a essas demandas.

 

Para isso, os gestores precisam estar bem informados acerca da previsão do tempo. Saber com dias ou até semanas de antecedência quais são as tendências para o curto e médio prazo ajuda a tomar decisões estratégicas. Isso pode representar a diferença entre ter um desempenho recorde ou amargar um enorme prejuízo.

 

É claro que a agricultura e a pecuária não ficam de fora dessa dinâmica. O regime de chuvas afeta diretamente decisões como quando plantar e quando colher, além de indicar as melhores variações de sementes para um determinado tipo de clima que o gestor enfrentará naquele ano.

 

Quem cria gado deve se preocupar com o estresse térmico, que é um dos fatores mais relevantes no bem-estar dos animais. Saber sobre as previsões do tempo e das variações de temperatura é importante para poder tomar providências e garantir que os animais continuem saudáveis e produtivos.

 

A meteorologia na produção de leite

Apesar de serem animais de grande porte e fortes, os bovinos são extremamente sensíveis às temperaturas elevadas. O calor é um dos principais fatores de estresse para o gado, podendo ter um impacto drástico sobre a produção do leite. Há quatro aspectos relacionados ao clima que podem afetar a produção do gado leiteiro. Veja:

 

Disponibilidade dos grãos

A primeira delas é a disponibilidade e o preço dos grãos. A mudança de temperatura e as chuvas podem interferir na produção de soja e milho, dois dos cereais mais usados na alimentação do gado. Com menos oferta desses alimentos, o preço também sobe para o criador.

 

Pastagens e forragem

As condições do pasto estão muito relacionadas às condições meteorológicas. Muita chuva pode dificultar o enraizamento da grama, causando seu apodrecimento. Já o contrário, uma seca muito forte, pode fazer o pasto se queimar.

 

Geadas ou frio extremo também podem prejudicar as folhagens das gramas, diminuindo a oferta de alimento fresco para o gado. A principal consequência para o criador de gado leiteiro é a necessidade de introdução de ração para complementar a alimentação dos animais. Isso pode encarecer muito a produção.

 

O mesmo acontece com as forragens. Se algum evento climático atrapalha o crescimento das gramíneas, a forragem também será mais escassa. Novamente, pode ser necessário o complemento com a ração, alimento mais caro.

 

Doenças e pragas

A umidade é um fator que favorece muito a propagação de fungos. Já no frio há maior circulação de uma série de vírus. No período mais seco, por outro lado, há menos perigos. Em contrapartida, é a época de maior reprodução dos carrapatos.

 

Crescimento e reprodução

O calor interfere diretamente no bem-estar do animal. Quando as temperaturas estão extremas, o organismo precisa gastar energia para se resfriar. Com isso, aumentam os batimentos cardíacos e também as taxas de cortisol (hormônio do estresse). O resultado é que o animal não se alimenta direito. Como consequência, a produção de leite fica prejudicada. O calor é particularmente perigoso para as fêmeas prenhes, pois as altas temperaturas podem levar a um aborto espontâneo.

 

Diante de todos esses desafios, o produtor deve ter o monitoramento climático e os mapas do tempo como seus principais aliados. Sabendo quando haverá picos de temperaturas, poderá planejar ações para promover o conforto térmico aos animais ou programar medidas de controle de parasitas na melhor época, por exemplo.

 

Entender como se dá a interferência do clima no desenvolvimento do gado leiteiro é o primeiro passo para uma produção abundante de leite, garantindo o sucesso da fazenda.

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